
uma criança apanha conchinhas.
Conchinhas, penso eu...
Se lhe perguntasse,
seriam rubis, um tesouro.
Só elas apanham tesouros,
com tamanha candura.
Apanha uma e fica a olhar
para dentro do balde.
Não fossem umas pernas
saídas das rochas,
diria que brinca sozinha,
ou seja, labuta atarefada
na construção
de um mundo novo.
Sim! Só as crianças
têm a capacidade
de trabalhar arduamente
com um sorriso nos lábios.
E o que parece uma tela de galeria:
uma criança com um baldito;
apanhando conchinhas;
numa falésia,
junto ao mar;
sob um céu azul;
com gaivotas;
não é um quadro:
_É a construção de um Mundo!
Filomena Ferreira