terça-feira, 19 de julho de 2011

Corre um rio que se chama Angola

Corre um rio dentro de mim


Que se chama Angola


E cai em catadupa de meus olhos


Quando me vêm ao pensamento


As paisagens em que nasci


E o meu coração grita


Em dor-de-alma


Um grito abafado


que não quer dar a conhecer


a ninguém porque ,


ninguém entende essa dor


que é Saudade e meu fado


Filomena Ferreira



19/07/2011

Pelo Carreirinho do Pote



Pelo carreirinho da vinha até ao Pote

colhe o meu olhar, cada flor do caminho;

E no rosmaninho um pensamento,

no alecrim um alento,

na giesta um sorriso, uma festa.

na minha cabeça também os pensamentos,

seguem em carreirino.

Neste luigar de onde vim,

neste lugar para onde vou...

este carreirinho por onde vou,

a minha família, vezes sem conta, aqui passou.

Foi meu lar e meu ninho,

Este cantinho do Pote.

Vou pensando se na vinha,

há flor ou baguinho...

E lembro-me do meu avô,

debaixo do sobreirinho.

Sentada na pedra,

lembro-me das histórias que me contou:

da minha avó, de meus tios, de meu pai de pequenino...

Que este cantinho do Pote,

tem sorrisos, tem flores,

tem lida do campo a falar, as histórias aqui contadas

e o carinho do meu avô.


Dedicado a meu avô Faustino Ferreira



Filomena Ferreira

28/06/2011