quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Quase nada...

Quase nada!

Mãos vazias,

Braços caídos,

No meio da praça.

Quase nada!

Cabeça desabitada,

Um olhar vago,

No meio da avenida.

Quase nada!

Na avenida

cheia de gente,

um ponto no meio de nada:

um louco errante na multidão,

um velho perdido entre as gentes,

um aflito desvairado…

Quase nada

O que somos!

Um vida inteira a dar-se,

Sem se dar quase nada.

Isto, porque:

Passamos pelo louco,

Assombramo-nos
Passamos pelo velho,
ignoramo-lo,
Passamos pelo aflito,
Viramos a cara,
Reduzimos nossas vidas a nada.
Quando este planeta se extinguir,
O que terá sido a Humanidade?
- Quase nada!
E quase nada é tudo, o que somos!

23/02/2011

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Folgado com as demais singularidades


Numa temperada tarde,

o estio húmido,

intricava o alento.

Meu gato inerte, apagado,

que ao movimento não era permitido

sequer erguer a cabeça,

folgado com as demais singularidades

da tarde que aniquilava

e se abatia pelos singulares transeuntes

que se atreviam enfrentá-la.

- Que belo quadro, o de um gato lânguido

sobre o parapeito de uma janela,

perna ligeiramente caída

morrendo numa tarde estio

cuja vida propalada

pela ponta da cauda que o denuncia.


20/02/2011