quinta-feira, 29 de abril de 2010

MÃE

Mãe!
Se eu pudesse voar
e uma estrela apanhar
para o teu cabelo enfeitar...

Mãe!
Se eu pudesse voar
e uma nuvem apanhar
para nela repousares...

Mãe!
Se eu pudesse voar
e um raio de sol apanhar
para te aconchegar...

Mas eu sou pequenina, Mãe!
e no teu colo quero ficar
pois, juntinho a ti
nada me há-de faltar.

29-04-2010
A todos os meninos da creche

Terra Nublada

Terra Nublada,

desvirtualizada pela arritmia

das coisas sem sentido

das gentes despudoradas

que se sentam à mesa com os pobres

e com brandura maliciosa

surripiam-lhes as côdeas

restando-lhes as migalhas

para sorver

das gentes tontas,

que vão às urnas votar

porque houve um Abril

que lhes encheu a boca de democracia

e um país de encantadores ladrões

Este povo que se tem alguma história digna

apenas reza o santo régio oficio

que viu nascer o nome deste país, além mar

cala agora a vergonha de

se ver governada por um bando de mafiosos



Assim morro eu,

desgastada e consumida

neste barco que se afunda e

vendo os ratos a abandonar o navio.

Este vinho tem um travo

é um presente envenenado

que também eu corro para as urnas

alimentando um bando de ratos.



28-04-2010