terça-feira, 7 de junho de 2011

Ao vento que caminha

O vento caminha suave sobre as plantas do caminho.


Pelo caminho vou pensando em ti,


como se o vento fosse a tua companhia,


soprando leves palavras que,


trazem à minha face um breve sorriso.


Gosto de pensar em ti,


mesmo sabendo que não voltas,


especialmente quando vou leve pelo caminho.


Já não afasto essa lembrança!


Já não dói.


Agora é apenas uma companhia,


como se este caminho me levasse a ti.


Deixo-me ir com o vento e


sussurro-lhe palavras leves:


- Porque se não fores tu a falar-me,


por certo, o vento será meu mensageiro!


Filomena Ferreira


2/06/2011

Não sou pois, a mesma pessoa

Naquele tempo, eu gostava de cravos amarelos. Hoje, gosto de rosas vermelhas.


Não sou pois, a mesma pessoa…


Cresciam jacintos brancos sobre a entrada do portão a que eu chamava Marias, porque o meu avô me dissera que a minha avó tinha um especial carinho por aquela planta e eu não sabia o seu nome.


Os tempos eram outros e eu era uma estranha naquela terra. Portanto, tudo o que me ligava aos meus antepassados me era importante, porque me fazia ter um passado, coisa que não possuía naquele momento.
- Tinha-o deixado em Angola.


Hoje os jacintos, já não existem, cobertos por uma espessa camada de cimento que constitui uma passadeira, mas eu ainda, os vejo.


Para mim, estão lá!


Filomena Ferreira


7/06/2011

Avó Rosa

Na memória dos tempos,

dos dias que passam a fio,


minha avó sorri e


vai rezando o terço,


até parece que,


fala com Nossa Senhora:

- Vai encomendando a alma ao Senhor!


No seu preto profundo,


espera a hora porque


Aquele que ceifa a vida,


colhe as almas, lá no céu


passou na lista o seu nome


e a deixou esquecida!



Filomena Ferreira


7/06/2011

Berlindes em liberdade

Pela calçada do caminho, saltitam velozes os berlindes de R.

- Estúpido rapaz! Como vai ele apanhá-los?


Abriste-lhes o saco, sem cuidado e os berlindes, pela calçada abaixo, caminham, correm, saltitam em franca liberdade.


E R. fica a olhá-los… encolhe os ombros, SORRI!


Olha para mim.


- Deixa-os lá!


E segue o seu caminho.


Filomena Ferreira


7/06/2011

Ponto no Universo

O rio corre, o vento caminha e o pensamento voa.


EU sou apenas, um ponto parado neste Universo.



Neste perpétuo movimento, tudo faz sentido, só não entendo este ponto.


Que faço ali, naquela dinâmica tela interactiva?


Serei um viajante, no tempo?


O tempo não é linear e o que acontece, acontece em várias dimensões, por isso, pareço apenas, um ponto naquele universo.


Filomena Ferreira


2/06/2011

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Porque me obrigas Sr...

Porque me obrigas Senhor,
a ver coisas que não quero ver?

Leva-me para o pé do mar
onde não mais possa ver o que os homens
têm para me mostrar,
mas tão-somente, lá mais além,
eu, o céu e o mar para me acalmar
e o doce vento para me despertar!

Já não consigo ver coisas sem as denunciar,
mas se as denuncio
alguém me há-de cruxifcar.
Por que hei-de viver assim,
entre a dor de não dizer
e a dor de as denunciar,
se sou um simples ser humano
e nada posso fazer?

Mas Tu oh Divino,
que tudo podes,
por que me obrigas a ver
se nada posso fazer?




Filomena Ferreira



13/05/2011