domingo, 6 de dezembro de 2009

NATAL

Lembro-me do Natal quando era criança e das histórias que me contava a minha família.

Vivíamos em Angola e geralmente poucos tinham família por perto, então juntávamos as famílias mais amigas e as de mais perto: como aquela em que, pela altura em que, o "terrorismo" tinha chegado à nossa rua e não se podia sair. Eu tinha seis meses e Zé Carlos, de dois anos de idade nos bateu à porta a dizer que a mãe estava a chorar. A minha mãe pulou o muro e deu com a senhora em trabalho de parto o que deixou a minha mãe em grande desespero, pois como disse ninguém se atrevia nem a abrir uma porta, quanto mais sair para chamar uma parteira.

Eis que de repente a minha mãe se viu com um bebé a cair-lhe nos braços sem saber o que fazer, mas como que por instinto, cortou-lhe o cordão umbilical enrolou em gaze e quando a parteira apareceu estava tudo bem,

Graças a Deus...


Eu felizmente tinha tios por perto, não éramos uma família sem família, em Angola e tenho muitas saudades desses Natais. Foram os melhores da minha vida.

A criança que nasceu chama-se Joca, foi meu companheiro de escola até abandonarmos aquele país. Hoje é mestrado em História e trabalha uma Instituição Pública no Porto.

Antigamente as pessoas da nossa família contavam-nos muitas histórias, umas nossas, "de família", outras de encantar, outras religiosas e cheias de AMOR.

Hoje os pais compram livros de histórias, porque nos tornamos tão vazios que as temos que ler, para contar, irreais e sem amor...

Porque o amor tem de ser vivido...

por aqueles que amamos,

por aqueles que nos amam.

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