Mojumba
Pretito bonito! Sem mancha na pele, sem sinal, sem marca...
Sua pele de um negrume macio, brilhava. Até dava vontade de abraçar, aconchegar, porque deveria concerteza ser macio e quente.
Mas Mojumba era meio gato, meio cão: ora chegava junto de nós com sorriso branco e grande, ora fugia assanhado.
Mojumba era como macaco: pulava muro, subia coqueiro, roubava fruta.
Mojumba perdeu a mãe no mato.
Veio para a cidade com a menina. Cresceu no meio da gente, se tornou um rapaz bonito. Mas perdeu seu sorriso grande e branco.
Vai à escola de pasta com os meninos do bairro.
Não digam nada a ninguém, mas tenho saudades daquele negrito, barriga de ginguba, a gritar, a correr pelo quintal, só de cueca, deitando fora o sapato, o calção, a camisa, que a mãe da menina lhe tinha vestido.
Não sei onde pára Mojumba (não era este o seu nome), perdi o contacto com quase todos os meus amigos ao deixar Angola. Mas Mojumba continua no meu pensamento, ao fim de tantos e tantos anos. Mojumba ia comigo para a escola, construía-me carrinhos de lata, fisgas de arame e elástico, fazia carrinhos de rolamentos como ninguém, inventava brincadeiras e estar com ele era muito divertido. Mojumba era meu AMIGO.
Autor: Mª Filomena Ferreira
20/01/2010
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