
Maxito Maué, menino oriundo, não das savanas, mas da floresta tropical, onde a natureza brota frondosa e agressiva...
Menino que corria mato e tudo conhecia, vivia na sanzala no meio do batuque e da cubata de palha e colmo. Mesmo no largo da sanzala, onde mamã bate o pilão, para fazer a fuba, sempre se acende a fogueira para mostrar a presença do guerreiro de tanga e lança na mão, não vá o leão seguindo o cheiro do nené que nasceu, entrar descuidado.
Aquela fogueira parece o centro de África, quando acesa à noite...
Menino Maué correu atrás de animal sem saber que animal. Correu atrás e se perdeu no mato.
Ninguém ligou, porque Maxito conhecia bem todo o mato e até lugar onde o homem (que chegou à Lua), nunca havia pisado.
Veio a noite e Maxito não regressou.
Sanzala se mexia e Maxito não regressava.
Sanzala ecoou na noite, canção de mamã aflita e Maxito não disse nada.
Vozes roucas se calaram, se calou a batucada: _ pum ....pum .......pum!
Na calada da noite ficou a fogueira acesa, para que de longe Maxito encontrasse a luz na caminhada.
No silêncio da noite calada, à volta da fogueira grande, toda a gente esperava, mas Maxito Maué não voltava.
Veio a madrugada ...
difusa e embaciada,
fogueira quase apagada...
E Maxito Maué, nada!
Já de madrugada, a vida chamava e as pessoas cansadas, se levantaram lentamente...
Arrastadas até à saída da sanzala, onde o himbondeiro velho abria os braços fortes e acompanhava todos os dias, a brincadeira da criançada.
A malta que chegava e ali ficava a olhar... chamava a atenção da outra, que intrigada se aproximava para matar sua curiosidade.
Então, quando todos ali se juntaram perto do himbondeiro,
incrédulos!
ninguém acreditava, ninguém dizia nada:
No buraco do velho himbondeiro, num ninho de palha ajeitada, Maxito Maué aninhado dormia.
A fogueira trouxera Maxito à sanzala!
Em África,
a fogueira é uma mãe à espera,
à porta de cada cubata,
que fez do himbondeiro o ninho dela.
Autor: Mª Filomena Ferreira 19/01/2010
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