terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Contos africanos de minha autoria I

A fogueira é uma mãe à espera em cada cubata



Maxito Maué, menino oriundo, não das savanas, mas da floresta tropical, onde a natureza brota frondosa e agressiva...


Menino que corria mato e tudo conhecia, vivia na sanzala no meio do batuque e da cubata de palha e colmo. Mesmo no largo da sanzala, onde mamã bate o pilão, para fazer a fuba, sempre se acende a fogueira para mostrar a presença do guerreiro de tanga e lança na mão, não vá o leão seguindo o cheiro do nené que nasceu, entrar descuidado.


Aquela fogueira parece o centro de África, quando acesa à noite...


Menino Maué correu atrás de animal sem saber que animal. Correu atrás e se perdeu no mato.


Ninguém ligou, porque Maxito conhecia bem todo o mato e até lugar onde o homem (que chegou à Lua), nunca havia pisado.


Veio a noite e Maxito não regressou.

Sanzala se mexia e Maxito não regressava.

Sanzala ecoou na noite, canção de mamã aflita e Maxito não disse nada.


Vozes roucas se calaram, se calou a batucada: _ pum ....pum .......pum!


Na calada da noite ficou a fogueira acesa, para que de longe Maxito encontrasse a luz na caminhada.


No silêncio da noite calada, à volta da fogueira grande, toda a gente esperava, mas Maxito Maué não voltava.


Veio a madrugada ...

difusa e embaciada,

fogueira quase apagada...

E Maxito Maué, nada!


Já de madrugada, a vida chamava e as pessoas cansadas, se levantaram lentamente...

Arrastadas até à saída da sanzala, onde o himbondeiro velho abria os braços fortes e acompanhava todos os dias, a brincadeira da criançada.


A malta que chegava e ali ficava a olhar... chamava a atenção da outra, que intrigada se aproximava para matar sua curiosidade.


Então, quando todos ali se juntaram perto do himbondeiro,

incrédulos!

ninguém acreditava, ninguém dizia nada:


No buraco do velho himbondeiro, num ninho de palha ajeitada, Maxito Maué aninhado dormia.

A fogueira trouxera Maxito à sanzala!


Em África,

a fogueira é uma mãe à espera,

à porta de cada cubata,

que fez do himbondeiro o ninho dela.

Dedicado a meu pai e a todos quantos nasceram em África, como eu.
Autor: Mª Filomena Ferreira 19/01/2010

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