terça-feira, 22 de março de 2011

Onda pela alvorada


Sentada numa rocha, dada à reflexão matinal, cuidando eu aquele momento divinal …

Fui interrompida por uma ondita traquina, que me convidava à brincadeira, num vaivém atirando-me conchitas e pequenos salpicos, alguns poisando-me nos lábios.


Distraída com o atrevimento, mostrando-me indignada, mas não deixando de achar até, uma certa graça, dei por mim a atirar conchitas, primeiro mais perto, depois mais longe, à ondita, numa brincadeira comedida.

Assim lá voltei todas as alvoradas, brincar com a minha amiga.

E confesso que até cheguei a ter ciúmes por não ser a sua única amiga, pois tudo parecia brincar com ela: as gaivotas, os peixes, a areia…

Mas achei também, algum conforto quando precisei de partir, não a deixar sozinha.

Regresso agora, todos os anos para lembrar aquela ondita, pois as ondas me parecem maiores. Fico por vezes a pensar se cresceu ou se ela há de voltar pequenita outra vez, atrevida, atirando-me conchitas

Filomena

14/03/2011

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