terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O Tempo que passamos com os filhos

Por estranho que pareça lembro-me hoje de coisas que não me lembrava há muito tempo, principalmente de pequenos pedaços que partilhei com a minha mãe, o meu pai, a minha irmã... e que nunca pensei que um dia lhes daria tanta importância
O Natal está a chegar e é tempo da família. Então nada mais divertido do que fazer o que o meu filho me pede há bastante tempo: _Um presépio em barro: Sim, o meu filho pede-me para fazer um presépio em barro e eu por comodismo, porque o barro faz "uma grande porcaria", tenho-me escapado de lhe dar este prazer.
Como é que nós podemos negar um tempo de partilha que ficará para a posteridade?
Aqui vai o que fizemos e até nos surpreendemos.



terça-feira, 23 de novembro de 2010

Até lá....

Repousas agora, sobre as rosas
que deixaste no jardim
Em nós apenas, a saudade
dos dias que partilhaste
connosco
Já não sou a mesma pessoa
que deixaste.
Agora possuo uma parte de ti
em tudo o que faço.
Tenho por missão,
levar-te este pedaço
Há pessoas que deixam
pedaços da sua alma
partilhada por aqueles
de quem ficam à espera
Só quando esses pedaços se juntam,
a sua alma fica completa,
para depois ser esquecida
e viver a sua eternidade.

23/11/2010
a meu pai

domingo, 14 de novembro de 2010

Histórias do Gil - Toblerone até ao Natal


Hoje, andávamos às compras no LIDL, quando o meu filho apontou um chocolate Toblerone enorme, extra extra exageradamente extra-grande (ele adora este chocolate). Eu sorri desentendida, dei uma volta e voltei ao local.
Procurei um daqueles pequenininhos mas não encontrava, pelo que corria as prateleiras e não encontrava, até que ele me disse:
-Ó mãe leva este que nós os dois o comemos até ao Natal



OUTRA MAIS MAIS ANTIGA...
Era o Gil pequenininho...
Era uma criança muito difícil de alimentar. Era um verdadeiro castigo conseguir que ele metesse alguma coisa à boca: nem comida de qualquer género, nem mesmo um chupa ou qualquer doce.
Tínhamos por hábito quando fazíamos as grandes compras (para longo prazo) cada um comprava uma gulodice, pelo que eu andava furiosa por o meu Toblerone desaparecer da geleira e que ninguém tivesse sido, o que me deixava mais furiosa. Até que numa destas discussões de inquisição "em que ninguém tinha sido", eu respondi:
-Quem não foi sei eu, o Gil!
Ao que o Gil abriu muito os olhos e depois disfarçou.
E foi dessa vez que descobrimos quem tinha sido.

Histórias do Gil - Cheira a vaca


Uma das vezes que íamos para Tomar, na auto-estrada perto da portagem de Torres Novas, meu filho abre a janela e entra ar frio pelo que acto contínuo meu marido diz:

_Fecha-me essa janela que cheira a vacas!

Ao que o meu filho responde:

Não são as vacas, sou eu. Dei um peido.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

PROJECTO DE VIDA

Projectos de vida não os tenho!
O meu projecto é viver.
Viver o mais que puder,
viver o melhor que puder,
Viver o quanto puder,
tão bem quanto puder,
e ajudar a viver os outros também.
Que "Projecto de Vida" já, contém
seu próprio nome:
_É a "VIDA"
Viva a vida nesta roda-viva,
sempre monótona e repetitiva
vida após vida, através do tempo,
século após século,
até que esta vida cesse
e cesse com ela este projecto.
Portanto meu projecto de vida
não pode ter conclusão
e muito menos avaliação.
Filomena Ferreira
9/11/2010

GUARDANAPOS DE PAPEL

Guardanapos de papel!

O que para os outros serve apenas, para limpar o sujo e atirado ao lixo, para mim é onde guardo relíquias do meu profundo ser.
É fácil ver-me no café escrevendo em guardanapos de papel.
É onde me encontro serena e calma pela manhã, colocando em ordem o meu pensamento.
Os guardanapos de papel, onde traço o meu melhor: são os desenhos, a modelagem, a dobragens e a letra; são os planos a curto e a médio prazo; são os exercícios a apresentar aos alunos; são esquemas de pequenos projectos ou trabalhos... guardo-os todos, todos.
E se alguém me quiser realmente conhecer, basta olhá-los e ficará a saber "a pessoa que sou ou fui"
Quando eu morrer, serei lixo e assim serão meus guardanapos de papel, lançados ao vento que a terra los há-de comer: -Já não valem nada! Mas enquanto eu existir serão o meu pequeno tesouro.
Esta estranha mania de dar sempre utilização diferente às coisas!?
O jogo simbólico "do que é e pode ser" e o "faz de conta", sou eu, só eu e mais ninguém!
Filomena Ferreira
9/11/2010

sábado, 30 de outubro de 2010

Tradição e o Dia de Todos os Santos

Em Tomar existe a tradição nas aldeias, em que as crianças saem bem cedo de saco na mão pedindo "bolinho, bolinho para o seu santinho" e qualquer pessoa que se preze dá com orgulho um bolinho próprio do dia (bolinho de passas e nozes), romãs, nozes, castanhas, dinheiro ou seja, o que tiver ao seu alcance e é uma desonra ser-se apanhado sem se ter nada que dar.

Depois do almoço é a altura da malta jovem: põe-se a mesa com guloseimas e as raparigas fazem questão de mostrar os seus dotes na culinária. Andam de casa em casa de cada pessoa do grupo. Enquanto os miúdos de dividem em grupos pequenos, os jovens juntam-se todos e depois é beber o vinho novo e outros, normalmente é honra da casa apresentar os licores, a água-pé, o vinho branco tudo de fabrico caseiro e outros mais velhos também se juntam, mas só entre os mais chegados e amigos. Neste dia todas as portas se encontram abertas, para quem quiser conviver, beber e comer.

É mesmo um dia de festa. A tradição ainda se mantém, embora já não com a mesma intensidade até porque as aldeias estão a ficar desertas

segunda-feira, 31 de maio de 2010

O dia em que tu nasceste


No dia em que tu nasceste
abriu-se o céu e a terra,
entre o grito, a dor e a alegria...
Apareceste,
Tu meu amor
Frágil, mas cheio de vida
E os dias perderam a monotonia.
Em sintonia
tu e eu
num laço que nos uniu
Cresceste,
tu meu amor
Em harmonia
numa vida plena
vida que prolonga a vida
e que sem ti
não teria sentido

31/05/2010
Filomena Ferreira
Aos meus filhos, pelo dia da criança, que seja sempre eternizado.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

ADEUS....!

Não existem palavras
para um adeus tão longo
Por isso digo-te simplesmente: Adeus!
_como se te fosse encontrar amanhã...

19-05-2010
A meu pai.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

MÃE

Mãe!
Se eu pudesse voar
e uma estrela apanhar
para o teu cabelo enfeitar...

Mãe!
Se eu pudesse voar
e uma nuvem apanhar
para nela repousares...

Mãe!
Se eu pudesse voar
e um raio de sol apanhar
para te aconchegar...

Mas eu sou pequenina, Mãe!
e no teu colo quero ficar
pois, juntinho a ti
nada me há-de faltar.

29-04-2010
A todos os meninos da creche

Terra Nublada

Terra Nublada,

desvirtualizada pela arritmia

das coisas sem sentido

das gentes despudoradas

que se sentam à mesa com os pobres

e com brandura maliciosa

surripiam-lhes as côdeas

restando-lhes as migalhas

para sorver

das gentes tontas,

que vão às urnas votar

porque houve um Abril

que lhes encheu a boca de democracia

e um país de encantadores ladrões

Este povo que se tem alguma história digna

apenas reza o santo régio oficio

que viu nascer o nome deste país, além mar

cala agora a vergonha de

se ver governada por um bando de mafiosos



Assim morro eu,

desgastada e consumida

neste barco que se afunda e

vendo os ratos a abandonar o navio.

Este vinho tem um travo

é um presente envenenado

que também eu corro para as urnas

alimentando um bando de ratos.



28-04-2010

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Contra o Tempo


Mesmo que chova,
hoje vou cantar
Mesmo que a chuva caia
vou-te amar
Mesmo que os dias fiquem mais cinzentos
Só me ouvirás declamar
os versos de quem quer
somente amar
Mesmo que o vento sopre frio
teu tormento vou alegrar
E à noitinha quando o tempo
não interessa mais
na tua cama vou me deitar
Mesmo que troveje, que chova
ou faça um frio de rachar
é contigo que eu vou estar
toda a noite sem parar
e amar, amar, amar...

Ao dia 19/04/1987, aos 23 anos de namoro e até que a morte nos separe.
19/04/2010
Filomena Ferreira


sexta-feira, 16 de abril de 2010

À JANELA


Era uma vez Abril

Era uma vez Abril...
Era uma vez, uma meia dúzia de capitães,
descontentes
tomaram o governo
mudaram a vida da gente.
Uns ficaram contentes,
outros não:
perderam tudo:
a sua casa, os seus amigos, um país.
_Uma vida de trabalho
para ficar sem nada.

Num ápice
perdi a minha vida
perdi-me,
por já não saber quem era.
Por um Abril,
perdi... perdi... perdi
E quando pensei ter ganho
alguma coisa -a Liberdade,
Ela saiu voando

Não há liberdade, quando não há pão
Não há liberdade, quando não há garantias
na velhice, no emprego e
alegria na cara das pessoas

Por tudo isso, estou de luto por Abril.
Estaria contente, pelo menos pelos outros, se...
Mas hoje estou de luto,
por mim e pelos outros.


Mas porque a vida é feita de contrariedades e compensações (por vezes) existe um motivo para lembrar Abril.
Pois em Abril nasceram três das pessoas que mais amo, no mundo:
A minha mãe, o meu marido e o meu primogénito

16 de Abril de 2010

domingo, 11 de abril de 2010

Caem bombas em Luanda

Calam-se as vozes,

Quando as armas falam mais alto.

E o grito do silêncio é ensurdecedor,

A seguir à queda de uma bomba.

Só depois, lentamente,

o ecoar lancinante da perda de alguém.

_Nunca soube o que era mais perturbador:

se o silêncio ou a gritaria que se lhe segue.

9/04/2010

Recordando o último dia que passei em Angola a 10 de Julho de 1975

sexta-feira, 19 de março de 2010

Reciclados - Rosa

É giro
É fácil
É barato
É pelo ambiente!

Plástico de côr, para as pétalas
Plástico verde, para as folhas e pé
Palhinha
Tesoura
Fita cola

quarta-feira, 17 de março de 2010

Colares da Primavera

É tão fácil

Lã, fio igual a este
Plástico verde para as folhas.

Dá-se um nó com as folhas...


_ E pronto, que espectáculo!


E muitos... muitos...

terça-feira, 16 de março de 2010

Himbondeiro meu amigo

Himbondeiro, meu amigo,
sempre aí, silencioso
Vigiando meus passos.
És como um pai,
que calado vais olhando por mim.
E eu, ao olhar para ti,
sinto-te seguro,
tomando conta de mim.
Apetece então,
recostar-me em teu tronco,
protegida do Mundo.
Que és forte, frondoso, seguro e meigo.
Filomena Ferreira
16/03/2010

Tarde no Poente

Angola ardente
O tempo é quente, mas tarde é uma euforia
Ao entardecer o sol é um fogo, no horizonte
e o mar borbulha como lava de vulcão.
O céu fica em chama
e as pessoas ficam a olhar o horizonte,
da fortaleza, como se fosse sempre, a 1ª vez
É uma beleza fulminante
que não se consegue parar de olhar.
O olhar estarrecido das pessoas
é a confirmação de
Algo sinistro e belo que,
dá largas à imaginação.
E aí, dá-nos vontade de parafrasear Camões:
"Amor é um fogo que arde..."
Ao que eu responderia:
- Mas que, dói, dói, dói...
lembrar que, talvez, nunca,
nunca mais, volte a ver,
o céu a arder e
o mar a borbulhar como lava de vulcão!
Filomena Ferreira
16/03/2010

segunda-feira, 8 de março de 2010

Fazer Borboletas - Dia da Mulher

Material
Folha de feltro
Molas do cabelo
Fio preto (antenas)
Cola


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Mulher

Filomena Ferreira
25702/2010

EU SOU A MULHER

Poema e Imagem de minha autoria
25/02/2010
Eu sou a árvore
Eu sou a seiva
Eu sou a mulher
que corre como um rio aberto
a envolver o Mundo
Eu sou a ave que grita,
em voo de liberdade.

Não há barreiras para um corpo
que, em si não cabe
e grito de asas abertas
abanando a folhagem
em meus braços
correndo para fora de mim
Porque o corpo é pequeno
e a alma não tem fim

23/07/2009
Filomena Ferreira

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Construção de um Mundo

Pelo caminho da falésia,
uma criança apanha conchinhas.
Conchinhas, penso eu...
Se lhe perguntasse,
seriam rubis, um tesouro.
Só elas apanham tesouros,
com tamanha candura.
Apanha uma e fica a olhar
para dentro do balde.
Não fossem umas pernas
saídas das rochas,
diria que brinca sozinha,
ou seja, labuta atarefada
na construção
de um mundo novo.
Sim! Só as crianças
têm a capacidade
de trabalhar arduamente
com um sorriso nos lábios.
E o que parece uma tela de galeria:
uma criança com um baldito;
apanhando conchinhas;
numa falésia,
junto ao mar;
sob um céu azul;
com gaivotas;

não é um quadro:
_É a construção de um Mundo!


Filomena Ferreira

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Adeus...


Lá longe ténue raio no horizonte
mostrando réstea do dia que acaba
enfrentando a escuridão que se apróxima.
A aragem fria do fim do dia
Lembrando que o Verão ao acabar
traz consigo o Outono.
Assim jaz minha tristeza
mais um vivido, menos um por viver
Adeus dias de sol,
Adeus Verão, Adeus férias,
Adeus alegria,
Adeus, adeus!

29/08/2009
Filomena Ferreira

Meu Portugal....

Meu Portugal recortado,
em praias de rendas
tecidas de mágoas e ais;
pelo povo aclamado
que cantando chegou
aos cinco continentes
navegando, navegando...

Em corpo pequeno,
grandiosidade vinda da alma,
E o coração bombeando
a presença constante
em cada recanto do Mundo

Heis que um pedaço
tosco de madeira, cinzelada
te leva tão longe...
Porque um corpo tão pequeno
em si não encerra alma imensa!

28/08/2009
Filomena Ferreira

Entre o cá e o lá

Angola

Terna lembrança dos dias da minha infância

Vêm-me à memória como uma chuva doce e suave,

próprio das chuvas tropicais em dia quente,

mas arde-me como chama

em ferida aberta

e afasto logo esse pensamento

Entre o cá e o lá nunca fui de lado nenhum

sem terra, sem nenhum lugar onde pertencer

quase não sei quem sou a maior parte das vezes...

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A Máscara


Por trás da máscara
um rosto escondido.
Um papel
uma vida, nunca vivida:
Uma fada,
um palhaço,
uma bruxa (porque é moda),
Uma personagem da B.D.,
ou simplesmente
um menino dos anos 60,
ao gosto da mãe.
A máscara determina o carácter.
De rosto escondido
o carácter é revelado.
Na vida, muitos vestem a máscara,
mais tarde ou mais cedo a máscara cai.
Mas os que nunca
vestiram a máscara
andam nus (expostos).
Porque às vezes é necessário
colocar a máscara.
Por isso existe Carnaval
uma vez por ano,
Para lembrar as pessoas
que não podem vestir
a máscara todos os dias (do ano),
sob pena de
se perderem no seu carácter
reduzindo a sua vida a um carnaval.
Mesmo que seja necessário,
para nos protegermos ou
não nos expormos...
Não se esqueçam, por favor
tirem a máscara,
quando o Carnaval se for.

27/01/2010
Filomena Ferreira

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Contos africanos de minha autoria II

Mojumba
Pretito bonito!
Sem mancha na pele, sem sinal, sem marca...
Sua pele de um negrume macio, brilhava. Até dava vontade de abraçar, aconchegar, porque deveria concerteza ser macio e quente.
Mas Mojumba era meio gato, meio cão: ora chegava junto de nós com sorriso branco e grande, ora fugia assanhado.
Mojumba era como macaco: pulava muro, subia coqueiro, roubava fruta.
Mojumba perdeu a mãe no mato.
Veio para a cidade com a menina. Cresceu no meio da gente, se tornou um rapaz bonito. Mas perdeu seu sorriso grande e branco.
Vai à escola de pasta com os meninos do bairro.
Não digam nada a ninguém, mas tenho saudades daquele negrito, barriga de ginguba, a gritar, a correr pelo quintal, só de cueca, deitando fora o sapato, o calção, a camisa, que a mãe da menina lhe tinha vestido.

Não sei onde pára Mojumba (não era este o seu nome), perdi o contacto com quase todos os meus amigos ao deixar Angola. Mas Mojumba continua no meu pensamento, ao fim de tantos e tantos anos. Mojumba ia comigo para a escola, construía-me carrinhos de lata, fisgas de arame e elástico, fazia carrinhos de rolamentos como ninguém, inventava brincadeiras e estar com ele era muito divertido. Mojumba era meu AMIGO.

Autor: Mª Filomena Ferreira
20/01/2010

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Contos africanos de minha autoria I

A fogueira é uma mãe à espera em cada cubata



Maxito Maué, menino oriundo, não das savanas, mas da floresta tropical, onde a natureza brota frondosa e agressiva...


Menino que corria mato e tudo conhecia, vivia na sanzala no meio do batuque e da cubata de palha e colmo. Mesmo no largo da sanzala, onde mamã bate o pilão, para fazer a fuba, sempre se acende a fogueira para mostrar a presença do guerreiro de tanga e lança na mão, não vá o leão seguindo o cheiro do nené que nasceu, entrar descuidado.


Aquela fogueira parece o centro de África, quando acesa à noite...


Menino Maué correu atrás de animal sem saber que animal. Correu atrás e se perdeu no mato.


Ninguém ligou, porque Maxito conhecia bem todo o mato e até lugar onde o homem (que chegou à Lua), nunca havia pisado.


Veio a noite e Maxito não regressou.

Sanzala se mexia e Maxito não regressava.

Sanzala ecoou na noite, canção de mamã aflita e Maxito não disse nada.


Vozes roucas se calaram, se calou a batucada: _ pum ....pum .......pum!


Na calada da noite ficou a fogueira acesa, para que de longe Maxito encontrasse a luz na caminhada.


No silêncio da noite calada, à volta da fogueira grande, toda a gente esperava, mas Maxito Maué não voltava.


Veio a madrugada ...

difusa e embaciada,

fogueira quase apagada...

E Maxito Maué, nada!


Já de madrugada, a vida chamava e as pessoas cansadas, se levantaram lentamente...

Arrastadas até à saída da sanzala, onde o himbondeiro velho abria os braços fortes e acompanhava todos os dias, a brincadeira da criançada.


A malta que chegava e ali ficava a olhar... chamava a atenção da outra, que intrigada se aproximava para matar sua curiosidade.


Então, quando todos ali se juntaram perto do himbondeiro,

incrédulos!

ninguém acreditava, ninguém dizia nada:


No buraco do velho himbondeiro, num ninho de palha ajeitada, Maxito Maué aninhado dormia.

A fogueira trouxera Maxito à sanzala!


Em África,

a fogueira é uma mãe à espera,

à porta de cada cubata,

que fez do himbondeiro o ninho dela.

Dedicado a meu pai e a todos quantos nasceram em África, como eu.
Autor: Mª Filomena Ferreira 19/01/2010

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

AMOR

Dívida...

Só amor, não lamento

nesta estúpida vida

De tudo a que atento

Só de amor fui descuidada

P'ra quem não merecia.

Jaz agora em meu peito

tristeza tanta,

de mais não ter amado

quem de amor padecia



São ais, de mágoas mil ...

Como pude abandonado Amor,

perecendo a desgosto Vil?

Foste fonte rejuvenescida

Alegria de Primavera, encantada

Chegando doce e subtil

Foste ficando e não partiste.


Se o tempo pudesse compensar

Réstia de vida não chegaria

Para amar, mais do que pediste.

Salve Amor, eternamente,

quem me soube amar!

Cessa-se-me a vida, lentamente

e eu em divida,

Só p'ra quem não deveria…


8/01/2010