
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Cai suave o frio

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Cartões / Convites de Natal
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Trompetes da Partida

Tombam velhos camaradas
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
domingo, 18 de setembro de 2011
Passados cinquenta e um anos
Não há de certeza melhor lugar com que sonhar e numa altura em que quase todos os meus sonhos se reduzem a pesadelos, não poderia deixar ser um presente agradável sonhar com aquela ilha que não vejo há tantos anos.
e pelo caminho fazer uma visita à primeira escola em que fui colocada no distrito de Lisboa (grávida do meu filho mais velho, há 23 anos), que os tempos eram dificeis mas não tão maus como hoje.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Quantas vezes...
das tuas palavras só para ouvi-las
pois elas me soavam a mélicas melodias
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
CIRCUNSPETA
olhei em redor
procurei em vão,
numa busca contínua,
na completa solidão,
anos e anos,
penas do meu coração.
E quando pensava,
nada mais achar
encontrei AMOR
até mais não.
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
A TEMPESTADE
De repente sentiu-se invadida por um sentimento de conforto: - Aquela imagem das trevas era um reflexo da raiva que sentia do mundo.
SÓ, ela deixou-se ficar, sentada na erva e ensopada como se aquela água toda a purificasse daquele sentimento nefasto.
25/08/2011
segunda-feira, 25 de julho de 2011
terça-feira, 19 de julho de 2011
Corre um rio que se chama Angola
Corre um rio dentro de mim
Que se chama Angola
E cai em catadupa de meus olhos
Quando me vêm ao pensamento
As paisagens em que nasci
E o meu coração grita
Em dor-de-alma
Um grito abafado
que não quer dar a conhecer
a ninguém porque ,
ninguém entende essa dor
que é Saudade e meu fado
Filomena Ferreira
19/07/2011
Pelo Carreirinho do Pote

Dedicado a meu avô Faustino Ferreira
terça-feira, 7 de junho de 2011
Ao vento que caminha
O vento caminha suave sobre as plantas do caminho.
Pelo caminho vou pensando em ti,
como se o vento fosse a tua companhia,
soprando leves palavras que,
trazem à minha face um breve sorriso.
Gosto de pensar em ti,
mesmo sabendo que não voltas,
especialmente quando vou leve pelo caminho.
Já não afasto essa lembrança!
Já não dói.
Agora é apenas uma companhia,
como se este caminho me levasse a ti.
Deixo-me ir com o vento e
sussurro-lhe palavras leves:
- Porque se não fores tu a falar-me,
por certo, o vento será meu mensageiro!
Filomena Ferreira
2/06/2011
Não sou pois, a mesma pessoa
Naquele tempo, eu gostava de cravos amarelos. Hoje, gosto de rosas vermelhas.
Não sou pois, a mesma pessoa…
Cresciam jacintos brancos sobre a entrada do portão a que eu chamava Marias, porque o meu avô me dissera que a minha avó tinha um especial carinho por aquela planta e eu não sabia o seu nome.
Os tempos eram outros e eu era uma estranha naquela terra. Portanto, tudo o que me ligava aos meus antepassados me era importante, porque me fazia ter um passado, coisa que não possuía naquele momento.
- Tinha-o deixado em Angola.
Hoje os jacintos, já não existem, cobertos por uma espessa camada de cimento que constitui uma passadeira, mas eu ainda, os vejo.
Para mim, estão lá!
Filomena Ferreira
7/06/2011
Avó Rosa
Na memória dos tempos,dos dias que passam a fio,
minha avó sorri e
vai rezando o terço,
até parece que,
fala com Nossa Senhora:
- Vai encomendando a alma ao Senhor!
No seu preto profundo,
espera a hora porque
Aquele que ceifa a vida,
colhe as almas, lá no céu
passou na lista o seu nome
e a deixou esquecida!
7/06/2011
Berlindes em liberdade
Pela calçada do caminho, saltitam velozes os berlindes de R.- Estúpido rapaz! Como vai ele apanhá-los?
Abriste-lhes o saco, sem cuidado e os berlindes, pela calçada abaixo, caminham, correm, saltitam em franca liberdade.
E R. fica a olhá-los… encolhe os ombros, SORRI!
Olha para mim.
- Deixa-os lá!
E segue o seu caminho.
Filomena Ferreira
Ponto no Universo
O rio corre, o vento caminha e o pensamento voa.EU sou apenas, um ponto parado neste Universo.
Neste perpétuo movimento, tudo faz sentido, só não entendo este ponto.
Que faço ali, naquela dinâmica tela interactiva?
Serei um viajante, no tempo?
O tempo não é linear e o que acontece, acontece em várias dimensões, por isso, pareço apenas, um ponto naquele universo.
Filomena Ferreira
2/06/2011
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Porque me obrigas Sr...
a ver coisas que não quero ver?
Leva-me para o pé do mar
onde não mais possa ver o que os homens
têm para me mostrar,
mas tão-somente, lá mais além,
eu, o céu e o mar para me acalmar
e o doce vento para me despertar!
Já não consigo ver coisas sem as denunciar,
mas se as denuncio
alguém me há-de cruxifcar.
Por que hei-de viver assim,
entre a dor de não dizer
e a dor de as denunciar,
se sou um simples ser humano
e nada posso fazer?
Mas Tu oh Divino,
que tudo podes,
por que me obrigas a ver
se nada posso fazer?
Filomena Ferreira
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Correm-me palavras como um rio, mas a quem dizê-las?
Tenho saudades de discutir os livros, a política, a ciência, a humanidade… com o meu pai
O meu pai foi o homem mais culto que conheci.
Nunca me impôs ideias, ouvia-me e discutia os seus pontos de vista, bem argumentados, pausadamente e tão sereno que quase me convencia, mesmo quando não estávamos de acordo.
E eu sentia-me honrada nas minhas opiniões e reforçada (enriquecida) pelas dele.
Com a idade o seu corpo deixou de responder com a mesma força. A vitalidade das suas ideias não correspondia às do seu corpo.
Meu pai era um senhor, “a bem dizer da palavra”. Nunca precisou de ajuda de ninguém. Lutou muito e venceu, com dor e ciência.
Com o tempo deixou de ser o meu protector. E quando precisava de ajuda, para descer o carro, por exemplo, sentia-se vexado. Foi traído pelo seu corpo. Foi ficando velho mas, com um cérebro de génio.
No hospital, ao fim de duas semanas de internamento, a médica disse-me que ele já, não tinha nada, que não reagia porque tinha desistido de viver.
A primeira reacção foi ficar magoada: “Como poderia um homem tão amado desistir de viver?”
Depois lembrei-me de como o seu corpo envelheceu tanto nos últimos tempos e +pensei que talvez tivesse razão.
Despedi-me dele com um sorriso de paz interior e com a serenidade que sempre me mostrou.
Daquele homem que já não olhava como um pai, mas como um grande Homem, o confidente e maior dos meus amigos, ficou-me uma riqueza interior, um expemplo de dignidade e integridade…
Quando morreu, foi uma grande perda, porque não morreu apenas um homem, com ele foram-se as ideias, a integridade, o exemplo e uma maneira única de estar na vida,
A mim resta-me a grande saudade e a honra de ter sido sua filha.
Filomena Ferreira
31/03/2011
Mas afinal, o que é um rebanho?
Na faculdade, numa aula de Introdução ao Direito o professor, visivelmente conturbado, interpelou-nos da seguinte forma:
- Oh srs professores o que é que vocês agora, ensinam aos vossos alunos que um aluno meu (da Faculdade de Direito onde leccionava também) não sabia o que era um rebanho? Isso no meu tempo ensinava-se no 3º ano.
Eu raramente intervenho nas aulas, pertenço ao clã dos ouvintes, numa profunda constrição neste sentimento de derrota (que os tempos não são para outra coisa) respondi-lhe:
- O sr. Ainda tem sorte, porque partilha essa angústia com pessoas que o entendem, mas tempos hão-de vir em que o senhor ao desabafar com um colega, mais não receberá que um olhar boquiaberto e atónito, para ouvir a pergunta:
- Mas afinal, o que é um rebanho?
Filomena Ferreira
23 de Maio de 2011
terça-feira, 26 de abril de 2011
Para além
http://sorisomail.com/img/regras-empresa-2242.jpgAli estava ela, submissa, tentando ser simpática, sentada à espera da entrevista dos recursos humanos para dar entrada numa grande empresa.
Pensei:
-Igualzinha à mãe. Quando querem alguma coisa são de uma empatia extraordinária. Sabem ser tão agradáveis. Mas depois de conseguirem o que querem são de um despotismo surpreendente. Quando possuídos de poder tornam-se vorazes.
Eu havia experimentado bem a tirania da sua progenitora, conhecia de cor, através dela, as palavras: coação, ameaça, abuso de poder, insultos, humilhação…
Poderia agora satisfazer o meu ego, exercer o meu domínio e fazê-la provar um trago do veneno que aquela iníqua mulher me havia feito sorver
De repente, a rebate:
-Será? Será mesmo como aquela generatriz …
Virei-me para o director dos recursos humanos e sem mais disse-lhe:
-Dá-lhe uma oportunidade!
Não sei porquê? Nunca o saberei, mas teria sido mais fácil acabar por ali…
………
Comprometida a sua imagem de sucesso, C. desceu as escadas e trauteou uma canção num assobio surdo. Estava perdida.
Segura de si, nunca sentira a terra tremer-lhe debaixo dos pés. Apenas, com um sorriso C. possuía o mundo, mas naquele momento, tudo isso tinha sido posto em causa e sentia-se um ponto no universo, incapaz de reagir. Um nervoso miudinho apoderou-se dela: não conseguia pensar, nem parar aquela agitação.
Eu, sentia um vigor fora do comum. Fora arrebatadora. Ao mesmo tempo sentia um nozinho no estômago. Mas aquela criatura regressou na manhã seguinte como um leão.
……..
Convidei-a para um jantar da empresa. Incrédula, fitou-me apreensiva, com um meio sorriso incapaz de sorrir. Adivinhei-lhe o pensamento: - O que me espera neste jantar?
Para uma sexta-feira à noite tinha mil e um planos e qualquer deles melhor que um jantar de empresa.
………
Uma semana num cruzeiro, dia e noite, com as mesmas caras…
Estava cansada da rivalidade, da competição, da chacota, de toda a adversidade levada à exaustão, mas como dizer que não?
A garota era rija, nunca dizia que não. Senti uma enorme compaixão. Tive até vontade de lhe pedir perdão, indignada comigo mesmo. Mesmo quando tentava, já em vão recordar o rosto da sua progenitora, mesmo assim, já não conseguia sentir-lhe raiva, apenas vontade de lhe confessar tudo, a razão do meu comportamento e pedir-lhe perdão.
De súbito um leve clamor, despertou-me desta cogitação e fez-me erguer o olhar. De pé, ela ergueu a taça na minha direcção: - Quero erguer esta taça a uma pessoa que admiro muito e que muito me ensinou pelas oportunidades que me proporcionou nesta árdua caminhada. Pelas tarefas confiadas, pelos desafios lançados em encruzilhadas que só aos mais experientes eram atribuídos, tornou-me a mais jovem gestora entre as chefias que aqui se encontram. A ela, um muito obrigado.
Fiquei por terra. Nem queria acreditar. Toda aquela vingança arquitectada contra a filha do meu inimigo, tinha-a tornado forte.
Ao mesmo tempo, senti-me contemplada de perdão, porque o remorso há já alguns dias que me lapidava o coração. Senti um enorme alívio. Já não sentia ódio, mas uma enorme vontade de amar o mundo.
Sentia-me perdoada, menos por Aquele que conhecia o meu verdadeiro delito.
Assim que chegámos e fizemos as nossas despedidas, dirigi-me a uma igreja. Caí de joelhos, curvada, mãos unidas de dedos cruzados, apertadas contra o peito. Diante da enorme Cruz, disse: - OBRIGADO, Meu Deus por todas as pessoas que colocaste no meu caminho, até daquelas de quem não gostei.
Não Lhe pedi perdão, apenas, agradeci por ser capaz de amar para além do meu ódio. Agradeci pela aquela lição.
26/04/2011
Filomena Ferreira
terça-feira, 29 de março de 2011
Esperança
terça-feira, 22 de março de 2011
Na palma da minha mão
Na palma da minha mão,
um ninho,
um passarinho.
A palma da minha mão,
o centro do mundo,
de um passarinho bêbado.
Caiu da árvore, do ninho.
Passarinho precoce,
o vento o derrubou,
a chuva o ensopará
Na palma da minha mão,
a vida.
E eu, trémula,
Não sei o que fazer.
À árvore não chego,
se o deixar no chão,
por certo, morrerá
Que faço?
Abandoná-lo não posso,
Levá-lo não posso…
Vida frágil
Passarinho precoce,
Será que resistirá?
Filomena
16/02/2010
Onda pela alvorada
Fui interrompida por uma ondita traquina, que me convidava à brincadeira, num vaivém atirando-me conchitas e pequenos salpicos, alguns poisando-me nos lábios.
Distraída com o atrevimento, mostrando-me indignada, mas não deixando de achar até, uma certa graça, dei por mim a atirar conchitas, primeiro mais perto, depois mais longe, à ondita, numa brincadeira comedida.
Assim lá voltei todas as alvoradas, brincar com a minha amiga.
E confesso que até cheguei a ter ciúmes por não ser a sua única amiga, pois tudo parecia brincar com ela: as gaivotas, os peixes, a areia…
Mas achei também, algum conforto quando precisei de partir, não a deixar sozinha.
Regresso agora, todos os anos para lembrar aquela ondita, pois as ondas me parecem maiores. Fico por vezes a pensar se cresceu ou se ela há de voltar pequenita outra vez, atrevida, atirando-me conchitas
Filomena
14/03/2011
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Quase nada...
Braços caídos,
No meio da praça.
Quase nada!
Cabeça desabitada,
Um olhar vago,
No meio da avenida.
Quase nada!
Na avenida
cheia de gente,
um ponto no meio de nada:
um louco errante na multidão,
um velho perdido entre as gentes,
um aflito desvairado…
Quase nada
O que somos!
Um vida inteira a dar-se,
Sem se dar quase nada.
Isto, porque:
Passamos pelo louco,
23/02/2011
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Folgado com as demais singularidades

Numa temperada tarde,
o estio húmido,
intricava o alento.
Meu gato inerte, apagado,
que ao movimento não era permitido
sequer erguer a cabeça,
folgado com as demais singularidades
da tarde que aniquilava
e se abatia pelos singulares transeuntes
que se atreviam enfrentá-la.
- Que belo quadro, o de um gato lânguido
sobre o parapeito de uma janela,
perna ligeiramente caída
morrendo numa tarde estio
cuja vida propalada
pela ponta da cauda que o denuncia.
20/02/2011
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Perdida
Solidamente parada no tempo
Pregada ao espaço no movimento
Frases soltas, sem nexo - descontínuas
Numa tempestade de ideias
Num imenso espaço _ universo
Em busca de um contínuo, sentido
Neste puzzle que o vento espargiu
Abstrusas ideias a que me comprometo,
Buscando o sentido da vida...
Assim sou eu, perdida!
15/02/2011


